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Federal

Revisão de CAPAG na PGFN: quando a classificação presumida não reflete a empresa

Equipe técnica Transacione7 min de leitura

Resposta direta

A Capacidade de Pagamento (CAPAG) atribuída pela PGFN é presumida: sai de um sistema parametrizado que não enxerga a situação econômico-financeira global da empresa. Como é ela que define a faixa de desconto, a entrada e o prazo da transação, uma presunção acima da realidade fecha o desconto antes da negociação começar. A Portaria PGFN nº 6.757/2022 admite a apuração da capacidade efetiva a partir das demonstrações contábeis, por metodologias oficiais — e é essa reclassificação que costuma destravar as maiores reduções.

Toda transação tributária federal começa por uma classificação que a empresa não escolheu e, quase sempre, não conferiu. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional atribui ao contribuinte uma Capacidade de Pagamento — a CAPAG — e é essa nota, e não o tamanho do passivo, que determina se haverá desconto, qual será a entrada e em quantas parcelas o débito pode ser pago.

O que a CAPAG presumida enxerga — e o que ela não enxerga

A CAPAG presumida é calculada por sistema, a partir de dados declarados e de parâmetros fixos. É um método de massa: precisa classificar milhões de contribuintes sem análise individual. O efeito colateral é conhecido de quem trabalha com o instituto — a presunção captura mal empresas cuja realidade econômico-financeira global se afasta do que os dados declarados sugerem isoladamente.

  • Grupos econômicos cujo resultado consolidado difere significativamente do resultado da pessoa jurídica devedora.
  • Empresas com ativo relevante, porém sem liquidez — o patrimônio existe, mas não se converte em caixa no horizonte da transação.
  • Empresas em recuperação de margem após ciclo de prejuízo, cujo desempenho recente não representa a capacidade projetada.
  • Passivos que já foram objeto de parcelamento e cujo histórico distorce a leitura automática.

CAPAG-P, CAPAG-E e o grau de cobertura

Na prática, três grandezas conversam. A CAPAG-P é a presumida, reconstituída a partir do extrato fornecido pela própria PGFN. A CAPAG-E é a efetiva, apurada das demonstrações contábeis por metodologias oficiais — notadamente a análise da Geração de Resultados Futuros (GRF) e do Patrimônio Líquido Realizável (PLR). O grau resulta da cobertura da dívida pela capacidade apurada e é ele que define, ao final, as condições disponíveis.

Revisar a CAPAG não é pedir um favor. É demonstrar, com documento e método, que o número usado como premissa da negociação não corresponde à empresa.

O que precisa ser demonstrado

O pedido de revisão é peça técnica, não petição de intenções. Ele precisa reconstituir o cálculo da presumida, apresentar a apuração da efetiva pelas metodologias admitidas e explicar, item a item, a origem de cada divergência — sempre com o documento de suporte identificado.

  1. Reconstituição da CAPAG-P a partir do extrato da PGFN, isolando as variáveis que a sustentam.
  2. Apuração da CAPAG-E sobre as demonstrações contábeis (ECD e ECF) e as escriturações fiscais do período relevante.
  3. Análise de sensibilidade: qual variável sustenta a classificação atual e quanto ela precisaria variar para mudar de faixa.
  4. Fundamentação jurídica com sede normativa citada e fundamentação econômico-financeira com memória de cálculo aberta.

Onde o desconto incide

Vale repetir, porque é a confusão mais comum: na esfera federal os descontos alcançam juros, multas e encargos legais — não o principal. A regra geral admite até 65% de redução, e até 75% em hipóteses específicas como pessoa física, ME, EPP, Santas Casas, instituições de ensino e empresas em recuperação judicial. O que reduz o montante além disso são a amortização com prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, admitida em até 70% do saldo, e o uso de precatórios.

Percentuais e prazos conforme a classificação apurada e os limites da norma aplicável ao caso concreto. Este conteúdo é informativo e não constitui promessa de resultado.

Atualizado em 04 de setembro de 2026. Conteúdo informativo, publicado por Transacione. Não constitui consulta jurídica nem promessa de resultado.

Sobre este tema

Perguntas frequentes

Qual a base normativa da revisão de CAPAG?

A Lei nº 13.988/2020 institui a transação tributária no âmbito federal e a Portaria PGFN nº 6.757/2022 disciplina a matéria, prevendo a apuração da capacidade de pagamento e a possibilidade de sua revisão para refletir a situação econômico-financeira efetiva do contribuinte.

A revisão de CAPAG garante desconto maior?

Não. A revisão é um pedido técnico cujo resultado depende do que as demonstrações contábeis efetivamente demonstram e da avaliação da PGFN. Um diagnóstico sério pode concluir que não há espaço de revisão — e essa conclusão, com os fundamentos, também é um resultado útil, porque evita despesa e expectativa sem lastro.

Quanto tempo leva para saber se há espaço de revisão?

Com os documentos em mãos — extrato de CAPAG, situação fiscal e escriturações ECD, ECF e EFD — o diagnóstico técnico é concluído em 48 horas.

Comece pelo diagnóstico

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A partir dos documentos, o diagnóstico indica se é o momento de transacionar, como administrar a dívida e quais oportunidades de economia cabem no caso. Cada etapa avança com a sua aprovação.

Se não houver espaço para revisão, o diagnóstico registra essa conclusão e apresenta os fundamentos. Não constitui promessa de resultado.

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Base normativa

  • Lei nº 13.988/2020
  • Portaria PGFN nº 6.757/2022
  • Lei estadual nº 17.843/2023
  • Resolução PGE nº 6/2024

Este site tem finalidade informativa. Não constitui oferta, consulta jurídica, promessa de resultado ou garantia de desconto. Percentuais, prazos e elegibilidade dependem da classificação apurada e dos limites da norma aplicável a cada caso concreto. O diagnóstico e o trabalho contábil são contratados com a Consultoria; eventual atuação em juízo é contratada separadamente, com o escritório jurídico.

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